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ESPECIAL TTT 2016 - RODRIGO CARDOSO - CAMPEÃO

ESPECIAL TTT 2016 - RODRIGO CARDOSO - CAMPEÃO

Há 2 anos atrás quando participei da primeira vez na prova com quarteto masculino e disse pra mim mesmo que um dia iria fazer solo. Sabia que para isso teria que começar a fazer provas mais longas e assim me dedicar a treinos longos e, às vezes, desgastantes e, até mesmo, deixar de passar alguns momentos com minha família.

Nesse período fiz 4 maratonas e a super de Rio Grande 50k e percebi que estava no meu melhor momento e decidi que era hora. Nos últimos meses intensifiquei meus treinos, fiz todo planejamento com o que iria precisar até mesmo apoio para o dia da prova, mas infelizmente no dia que antecedeu a corrida, meu apoio me mandou uma mensagem que não iria poder ir pois surgiu compromisso da sua empresa.

Tomei decisão de ir sem apoio, acordei na manhã da prova, tomei banho, fiz uma oração e sai com um gel,3 cápsulas de sal e duas mariolas no bolso do calção. Quando foi dada largada sai controlando o ritmo, já que  sabia da dificuldade e porque talvez era o ano em que a prova estava com maior nível técnico de corredores.

Quando entramos na areia cometi um erro. Mesmo escutando a experiência do Rodrigão, da Cia dos Cavalos, que estava fazendo apoio de bike para o Jeferson Dias. Ele disse para eu diminuir o ritmo, me alertando de que não adiantava ganhar tempo no início e perder la na plataforma de Atlântida.

Não ouvi e saí do meu ritmo planejado. Comecei a puxar um pouco mais forte acompanhado dos atletas Gabriel Picarelli e Paulo viana. Fomos juntos até próximo ao km 35, quando o Gabriel ficou um pouco atrás.  Depois disso, meu relógio caiu e acabei perdendo contato com Paulo Viana que assumiu a liderança.

Daí para frente começaram a aparecer as dores musculares. Estava forçando mais pra me aproximar do líder e foi entre os kms 51/52, o Paulo caminhou e voltei a liderar a prova. Mas logo, a situação começou a ficar insuportável. As dores musculares estavam fortes e quando passei a plataforma de Atlântida estava no km 58, ouvi o comentário do Rodrigão de que eu estava em um ritmo de quase 6 minutos por km, perdendo muito tempo.

Segui firme e quando passei pelo penúltimo posto de troca, uma garota de bike me encontrou e disse que eu estava muito longe do segundo colocado. Curioso, perguntei qual era a cor da camiseta dele e quando ela me disse que era amarela havia percebido que o Paulo viana tinha desistido e que o Jeferson Dias estava muito bem. Nessa hora, achei que seria muito difícil assegurar o primeiro lugar.

A moça me ofereceu uma cápsula de sal, estava ali sem nada, só na força de vontade de completar esse desafio. Segui mais alguns kms quando comecei a caminhar e olhei pra trás. Vi o Rodrigão vindo sozinho e quando ele chegou, me contou que o Jefferson havia sofrido uma lesão e que a partir daquele momento seria o meu apoio. Confesso que fiquei feliz, não porque havia acontecido essa fatalidade com Jeferson, mas sim porque mesmo sendo de equipes diferentes ele decidiu me apoiar.

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